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ornella

rodrigues

Faz 30 dias que estou aqui, reclusa, imersa, afogada
Faz trinta dias também que me mudei pra esse apartamento
Não sabia o que seria, mas sabia o que eu queria
Flores, plantas, meu rosto sorrindo e dançando pelas paredes "Cores de Almodóvar, cores de Frida"

Não sabia que teria que passar 24hs trancada, sem ver pessoas, sem ir ao mar
Difícil pra alguém tão comunicativa como eu
Difícil pra alguém que vê sua casa como abrigo, extensão de si e não como casulo.

Buscar o conforto, buscar o prazer na solidão, achar caminhos, refúgios
Entre a dor da perda, a incerteza no futuro e o medo da doença

Como transformar a dor em poesia, eu sei
A vida me ensinou a suportar qualquer coisa e escrever sobre
Ensinou que posso fotografar um suspiro pra poder olhar depois e sorrir

Lendo itans de Oxalá, esse rei que mora no meu ori, pude então compreender melhor minha condição
O itan fala de passagens onde Oxalá se recolheu para renascer, pra se redescobrir
No candomblé também nos recolhemos pra renascer

Nesse momento me enxergo assim, recolhida em mim mesma, no meu casulo decorado e ornado com plantas, cheiros e cores.

Sensorial mente
Tranquila mente

Com a paz que só Oxalá me trás
Com a certeza não do que virá, mas do que eu vou me tornar

Melhor!

© 2023 por Íris Palma. Criado orgulhosamente com Wix.com

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